Dos primeiros passos… à memória
Junho de 1983 - Os professores Maria Helena Reis Freire e Mário Silva Freire fundam o Clube de Biologia e Geologia Serra de S. Mamede, uma associação juvenil fora da escola.
Antecedentes:
Pressuposto
A Serra de S. Mamede constitui um potencial de conhecimentos, no âmbito das Ciências da Natureza, que poderia aproveitar-se.
A sua riqueza biológica e geológica, além da paisagística, seriam motivos suficientes para suscitar o interesse de qualquer pessoa, desde que suficientemente estimulada para esse conhecimento.
Algumas interrogações:
- Nesses princípios dos anos 80, em que actividades ocupavam os jovens os seus tempos livres?
- Não seria possível suscitar neles o interesse pelo estudo da Serra de S. Mamede, fora dos cânones estabelecidos pelo ensino formal da escola?
- Não seria possível os jovens organizarem-se em associação, com uma sede fora da escola, elegendo os respectivos corpos sociais, tomando decisões, assumindo como fulcro das suas actividades a Serra de S. Mamede?
- Havendo duas pessoas com formações complementares no estudo da Natureza, Biologia e Geologia, que, como animadores e em regime de voluntariado, pudessem dar pistas de actuação nessa tal hipotética associação, não poderia esta tornar-se uma realidade?
Estas foram as questões que os Fundadores puseram a si próprios.
A resposta saiu-lhes afirmativa, desde que se reunissem algumas condições, a saber:
- Existência de uma Sede.
- Aquisição de material mínimo para início de actividades, tais como bússolas, cartas topográficas e geológicas da região da Serra de S. Mamede, martelos e microscópio.
Fazendo uma avaliação de todas estas variáveis, os Fundadores avançaram para contactos com o Delegado Regional do Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis (FAOJ), Prof. Américo Ribeirinho e, depois, por falecimento deste, o Senhor José Barradas.
Houve, desde logo, o melhor acolhimento pelo primeiro, ao qual, o segundo deu seguimento com a disponibilização de uma instalação provisória na cave do edifício da Delegação do FAOJ, na Praça da República de Portalegre.
Abriram-se, então, as inscrições entre os alunos dos 8º aos 12º anos na Escola Secundária Mouzinho da Silveira, onde os Fundadores leccionavam e cujo meio melhor conheciam.
Inscreveram-se cerca de 30 membros. Havia, agora, que reunir as tais condições mínimas de funcionamento.
Fez-se, de imediato, uma exposição ao Director-Geral do FAOJ, Dr. Emílio Pires, indicando as finalidades do Clube de Biologia e Geologia Serra de S. Mamede, e das condições mínimas para se iniciar o seu funcionamento. A resposta não tardou: uma verba para arranque das actividades no valor de 20 contos.
Estavam criadas as condições para se iniciarem as actividades do Clube de Biologia e Geologia Serra de S. Mamede.
Houve a primeira reunião no dia 15 de Junho de 1983, para conhecimento mútuo dos membros e animadores e indicar as finalidades do Clube BGSSM. Esta data marca o seu nascimento.
No Outubro seguinte iniciaram-se as suas actividades, começando por uma eleição provisória da Direcção e organização de grupos de trabalho.
Seguiram-se, a par da primeira visita à Serra e colheita de material, sessões de discussão para elaboração do regulamento das actividades, eleições, escolha de um símbolo…
Dessas reuniões resultou um Documento, incluído neste item, que foi o guião das actividades do Clube BGSSM.
Em 1989, à semelhança do que existia em França e Canadá com os Les Petits Débrouillards, criou-se no Clube BGSSM uma Secção Infantil, tendo sido a Prof.ª Albertina Dordio a responsável. As crianças fizeram pequenas saídas junto à Sede, colhendo amostras de plantas, observaram pequenos animais, projectaram-se diapositivos sobre temas no âmbito da Serra e da Natureza, deslocaram-se e promoveram-se visitas à Serra de turmas do então Ciclo Preparatório.
Outros professores colaboraram, embora de forma transitória, no Clube de Biologia e Geologia Serra de S. Mamede, tanto na Secção Juvenil, como na Secção Infantil.
Cerca do ano 1998, os membros mais velhos do Clube começaram progressivamente a ter maior autonomia, como animadores, tendo assegurado a participação em eventos nacionais e internacionais e desenvolvido actividades nas férias, junto das crianças, na Serra de S. Mamede.
No entanto, estes membros do Clube encontravam-se na idade de procurar novos horizontes, quer entrando na vida activa, quer saindo de Portalegre para estudarem na Universidade.
Por outro lado, com o novo século, nova era estava a iniciar-se. Assim, os meios digitais começam a ocupar um espaço central nos tempos livres dos jovens, em detrimento de actividades de campo.
Todas estas razões contribuíram para que o Clube de Biologia e Geologia Serra de S. Mamede começasse a diminuir as suas actividades até que se extinguiu, na prática, em 2003.
As suas instalações tiveram que ser devolvidas ao Instituto da Juventude, onde, na altura, se situavam.
O seu Espólio, graças à disponibilização de um compartimento amplo de uma casa de família do dirigente do Clube, Fernando Freitas, foi possível, durante cerca de 16 anos, mesmo em condições precárias, guardar a maior parte do material. Assinalem-se, igualmente, os nomes de Luís Costa, Marco Vilela e Sérgio Fé. Todos eles, com a sua dedicação, contribuíram para a salvaguarda deste Espólio.
Em 2019, a Câmara Municipal de Portalegre cedeu, a título provisório, uma arrecadação para a guarda do mesmo. Em Outubro de 2026, a Câmara Municipal de Portalegre recebeu o referido Espólio, tendo cedido um espaço na Biblioteca Municipal. Este ficará disponível ao público
Pretende-se que este espaço possa contribuir, a todos os que o visitarem, para conhecer melhor a Serra de S. Mamede, do seu património natural valioso e sensibilizar para a importância da sua conservação.
Ficou a memória de 20 anos de um Clube Juvenil de Ciência fora da escola que valorizou os seus membros, ajudou a construir amizades duradouras e contribuiu para divulgar as riquezas faunísticas, florísticas e geológica da Serra de S. Mamede na Região, no País e no Estrangeiro.