Geologia
O relevo actual da Serra de S. Mamede e a complexidade geológica da região são o resultado directo de múltiplos ciclos tectónicos sobrepostos que moldaram este território ao longo de centenas de milhões de anos.
No entanto, as forças tectónicas que mais directamente foram responsáveis pelas formas de relevo que hoje se observam na Serra de S. Mamede ocorreram durante o Paleozóico, através da orogenia hercínica.
Estas forças geraram pressões enormes que dobraram e fracturaram as camadas rochosas. Foi esta compressão que ergueu e colocou na vertical muitas das cristas quartzíticas nela existentes.
Outra manifestação destas forças é o cavalgamento de Portalegre que põe em contacto xistos mais antigos por cima de quartzitos mais modernos, além do esmagamento do granito (granito tectonizado ou gnaissico).
Este cavalgamento separa duas zonas do Maciço Hespérico com características distintas: a Zona Centro-Ibérica e a Zona Ossa-Morena. O Maciço Hespérico é a parte mais antiga da Península Ibérica, destacando-se por ser constituído por rochas duras como granitos e xistos, e por ocupar a maior parte do território de Portugal Continental.
Devido à erosão diferencial ao longo do tempo, as rochas circundantes mais brandas (como os xistos) desgastaram-se, deixando as cristas quartzíticas isoladas no topo da paisagem.
Igualmente, é de assinalar a Falha de Castelo de Vide. Trata-se de um acidente geológico em que houve uma fractura seguida de afastamento lateral das cristas quartzíticas. A sua visibilidade está bem patente junto à Igreja de Nossa Senhora da Penha.
A fracturação profunda provocada pela falha deu origem à circulação das águas em profundidade, resultando as nascentes termominerais e medicinais de Castelo de Vide.
Outro aspecto de grande interesse na zona da Serra de S. Mamede é o dos antigos fornos de cal da Escusa, de que restam alguns.
A matéria prima era o calcário dolomítico. Consegue ver-se, embora de dimensões reduzidas, em gruta, algumas estalagmites e estalactites.
Todos estes fenómenos, associados a uma grande variabilidade litológica, suscitaram muito interesse da parte dos membros do Clube de BGSSM.
Na enumeração de rochas, fósseis e acidentes geológicos constantes neste item, embora cada uma destas entidades se refira a determinada localidade, tal não significa que só nesta eles possam estar. Estas localidades mencionam-se, apenas, a título exemplificativo. Assim, granitos, xistos e quartzitos, espalhados por diferentes partes da Serra, retratam bem esta realidade.
Neste item apresentam-se algumas fotografias de rochas que foram objecto de estudo, assim como esquemas de alguns dos acidentes geológicos ou construções com eles relacionados.
Mostra-se um roteiro da Excursão Geológica à Serra de São Mamede, da autoria do Prof. Francisco Gonçalves, que por ele foi orientada aos membros do Clube.
As listas de rochas, fósseis e acidentes geológicos indicados neste item, assim como a respectiva caracterização, por ordem alfabética, foram organizadas pelo co-fundador e animador Mário Silva Freire.
As fotografias e os esquemas são da autoria dos membros deste Clube e animadores.

Rochas identificadas pelo Clube
Caracterização organizada pelo co-fundador e animador Mário Silva Freire. A localidade indicada é apenas exemplificativa.
- Arcose Castelo de Vide
- Rocha sedimentar detrítica, arenito, geralmente constituído por quartzo, feldspato, micas e fragmentos de rocha, sendo considerado mineralogicamente imaturo devido à sua rápida deposição perto da rocha-mãe, formada a partir da meteorização e erosão rápida de rochas ígneas ou metamórficas ricas em feldspato (como o granito).
- Calcário dolomítico Escusa
- Rocha sedimentar carbonatada composta por uma mistura de calcite (carbonato de cálcio) e dolomite (carbonato de cálcio e magnésio), onde a dolomite representa entre 10% a 50% da rocha.
- Conglomerado Fortios
- Rocha sedimentar detrítica de granulação grossa, composta maioritariamente fragmentos de rochas preexistentes. Estes fragmentos maiores encontram-se unidos por uma matriz de grãos mais finos e consolidados por um cimento mineral.
- Granito Carreiras
- Rocha magmática, plutónica, formada pelo arrefecimento lento do magma no interior da Terra. É constituído essencialmente por quartzo, feldspato e mica (branca e/ou preta)
- Granito tectonizado (gnaissico) Portalegre
- Granito que sofreu deformação severa e metamorfismo de alta pressão e temperatura, perdendo a textura original, adquiriu um aspecto folheado ou gnaissico, com os minerais, especialmente o feldspato, alongados e orientados devido à força tectónica.
- Grauvaque Urra
- Rocha sedimentar detrítica, de grão fino, geralmente de cor cinzenta, constituída por fragmentos de quartzo, feldspato, micas, etc., encontrando-se ligados por um cimento silicioso, argiloso...
- Quartzito Marvão
- Rocha metamórfica cujo componente principal é o quartzo (mais de 75% como ordem de grandeza). É por isso uma rocha muito dura, formando cristas, com os terrenos vizinhos erodidos.
- Xisto Urra
- Rocha metamórfica caracterizada pela sua facilidade em dividir-se em lâminas finas e planas.
- Xisto grafitoso Portagem
- Xisto, de cor escura, caracterizado por um conteúdo significativo de grafite (carbono puro). Esta rocha resulta do metamorfismo de sedimentos originais que eram extremamente ricos em matéria orgânica.
Conceitos, acidentes geológicos e fósseis
Caracterização organizada pelo co-fundador e animador Mário Silva Freire.
- Bilobites Portalegre-Penha
- Pistas fossilizadas deixadas por animais marinhos antigos, como as trilobites. Apresentam-se como um caule, com um sulco longitudinal que o divide em dois lobos.
- Cavalgamento geológico Portalegre
- É uma falha inversa provocada por forças de compressão na crosta terrestre que fazem com que blocos de rochas mais antigas se desloquem por cima de camadas de rochas mais novas.
- Devónico Esperança
- Período da era Paleozóica (há cerca de 419 milhões a 358 milhões de anos, aproximadamente). O período Devónico sucede o período Silúrico e precede o período Carbónico, ambos da era Paleozóica ou Primária. Divide-se nas épocas Devónico Inferior, Devónico Médio e Devónico Superior, do mais antigo para o mais moderno.
- Erosão
- Processo geológico de desgaste, remoção e transporte de partículas de solo ou rocha por agentes naturais (água, vento, gelo). É o principal modelador do relevo terrestre e ocorre em três fases principais: desagregação, transporte e sedimentação.
- Falha geológica Castelo de Vide
- Fractura na crosta terrestre onde os blocos de rocha se deslocam uns em relação aos outros. Estes acidentes resultam da enorme pressão exercida pelas placas tectónicas, que ultrapassa a resistência das rochas, gerando as fracturas.
- Graptólitos
- Animais que viviam em colónias marinhas, dentro de pequenas cápsulas - tecas - na Era Paleozóica, entre os períodos Câmbrico e Carbónico. São fósseis muito importantes devido à sua datação de rochas. O termo graptólito deriva do grego para escrita na rocha, devido ao aspecto destes fósseis, que frequentemente parecem marcas de lápis cinzentas ou prateadas em xistos.
- Graptólitos – Didymograptus Esperança
- Didymograptus – as tecas estão dispostas de ambos os lados do ramo e servem para datar rochas do período Ordovícico
- Graptólitos – Monograptus Portagem
- Monograptus – as tecas estão dispostas em apenas num dos lados do ramo, caracterizando rochas do Silúrico.
- Marmita de Gigante Galegos
- É uma cavidade cilíndrica ou circular escavada no leito rochoso de um rio, ou em zonas litorais, devido à ação erosiva da água combinada com o movimento rotativo de sedimentos (como calhaus ou areia).
- Movimentos hercínicos
- Grande evento geológico de formação de montanhas ocorrido no final da Era Paleozóica, especificamente entre os períodos Carbónico e Pérmico (há cerca de 350 a 250 milhões de anos).
- Ordovícico Portalegre-Penha
- Período do Paleozóico, antecedido pelo Câmbrico e sucedido pelo Silúrico, que se iniciou há, aproximadamente, 510 milhões de anos e terminou há, aproximadamente, 439 milhões de anos.
- Silúrico Portagem
- Período da era primária ou paleozóica que sucede ao Ordovícico e que antecede o Devónico.
- Sinclinal Portagem
- Dobra na crosta terrestre, côncava, onde as camadas de rocha mais recentes se localizam no centro ou núcleo da estrutura, enquanto as camadas mais antigas se situam na periferia. Esta estrutura geológica resulta da deformação rochas submetidas a forças de compressão tectónica horizontais.
- Sinclinório Portalegre
- Formação geológica formada por várias dobras menores que, no conjunto, definem uma dobra de maiores dimensões, de concavidade para cima.
- Textura porfiróide Alagoa
- É um tipo de textura de rochas ígneas, especialmente granitos, caracterizada pela coexistência de cristais grandes, bem desenvolvidos e visíveis a olho nu e envolvidos por uma matriz de grão muito fino.
Galeria
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Caleiras da Escusa, forno (Parte frontal) -

Caleiras da Escusa, entrada de um forno -

Caleiras da Escusa, forno de cal (Parede interior) -

Caleiras da Escusa, forno de cal visto do exterior -

Caleiras da Escusa, forno de cal visto do interior -

Caleiras da Escusa, pormenor de um forno de cal -

Falha de Castelo de Vide -

Caleiras da Escusa, forno de cal, em segundo plano o calcário dolomítico -

Arcose -

Fonte da Mealhada, relação com a falha de Castelo de Vide -

Dobra da Portagem -

Granito de Castelo de Vide -

Dobra da Portagem -

Granito tectonizado (gnaissico) de Portalegre -

Marmita de gigante -

Xistos -

Quartzito -

Xistos grafitosos


